A Comissão de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou, nesta 6ª feira (23.set), que a Rússia cometeu crimes de guerra na Ucrânia. Segundo o presidente da pasta, Erik Mose, as evidências recolhidas pelos investigadores apontaram para casos de bombardeios em áreas civis, execuções, tortura, maus-tratos e violência sexual.
"A Comissão visitou 27 cidades e assentamentos e entrevistou mais de 150 vítimas e testemunhas. Inspecionamos locais de destruição, túmulos, locais de detenção e tortura, bem como restos de armas, e consultamos um grande número de documentos e relatórios. Com base nas evidências colhidas, concluiu-se que crimes de guerra foram cometidos na Ucrânia", disse Mose.
Um
dos crimes citados foi a conduta de hostilidades. De acordo com o relatório, o
uso de armas explosivas com amplos efeitos resultou na morte de centenas de
civis, bem como na devastação quase por completo de algumas cidades. Tais
ataques, além de registrados em bases militares, também foram feitos em áreas
residenciais.
"Esta
devastação é um dos fatores que explicam por que um terço da população
ucraniana foi forçada a fugir. Uma mulher mais velha, que fugiu enquanto as
hostilidades se espalhavam na área de Kharkiv, nos disse: 'eu não vivo, eu só
existo; eu não tenho mais nada em minha alma'", contou o representante.
Testemunhas
forneceram ainda "relatos consistentes" de maus tratos e tortura.
Algumas das vítimas afirmaram que, após ocupação inicial das forças
russas, foram transferidas para Moscou e mantidas por semanas em prisões.
Interlocutores descreveram espancamentos, choques elétricos e nudez forçada,
assim como desaparecimentos.
"A
Comissão descobriu que alguns soldados da Federação Russa cometeram tais
crimes. Esses atos equivaleram a diferentes tipos de violações de direitos. Há
exemplos de casos em que parentes foram forçados a testemunhar os crimes. Nos
casos investigados, a idade das vítimas de violência sexual e de gênero variou
de quatro a 82 anos", disse Mose.
As conclusões são as primeiras comunicadas
pela Comissão. Outros casos de crimes de guerra ainda devem ser averiguados,
como o mais recente, em Izyum. No local, antes ocupado por tropas
russas, foram encontrados 450 túmulos, além de salas de tortura. Apesar das
acusações ucranianas, Moscou nega ter participação nos casos. SBT News /
