O senador Jaques Wagner (PT-BA) questionou o
ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, se ele não achou
"sensacionalista" a divulgação dos grampos da então presidente Dilma
Rousseff com o ex-presidente Lula no Jornal Nacional, da TV Globo, pela Lava
Jato em abril de 2016. A indagação foi feita nesta quarta-feira 19 durante
audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, onde Moro
depõe.
"O
ministro insiste em desualificar o site e chamá-lo de sensacionalista. O site
já ganhou o 'Oscar do jornalismo' com a revelação dos 'wiki leaks'. O combate à
corrupção é pré-requisito para qualquer pessoa na vida pública. A melhor forma
é responder o que está sendo revelado. Foi uma medida sensacionalista divulgar
conversas grampeadas de Dilma? Colocar no pelourinho a dignidade de pessoas que
deveria ser mantido em sigilo? Como no caso da Escola Base, por exemplo, que
não tem nada a ver com Vossa Excelência", disse Wagner.
"Pensa
em se afastar do cargo para não prejudicar as investigações se ela for para a
Polícia Federal?", indagou ainda.
Antes
disso, Moro por diversas vezes se referiu ao site The Intercept, responsável
pela divulgação das conversas vazadas entre o ex-juiz e a força-tarefa da Lava
Jato, como "sensacionalista".
"O
impacto inicial decorrente do sensacionalismo da divulgação dessas notícias
geraram uma repercussão indevida e o tempo está colocando as coisas no seu
devido lugar. Há divulgação sensacionalista e isso coloca em questionamento
quais as motivações", respondeu Moro.
Jaques
Wagner voltou a cobrar: "o senhor ainda não respondeu se foi
sensacionalista a divulgação dos áudios de Dilma". "O senhor acha de
bom tom deixar o cargo para as investigações?", repetiu o senador.|Foto Edilson Rodrigues/agenciasenado
