Prefeitos de cidades da Bahia, Minas Gerais e São Paulo
recebiam 10% do valor de contratos fraudados na área da educação, segundo a
Polícia Federal, que deflagrou nesta segunda-feira (13) operação para
desarticular quadrilha suspeita de desviar recursos do Fundeb (Fundo Nacional
de Desenvolvimento da Educação Básica).- folhapress
A
PF estima em aproximadamente R$ 57 milhões os prejuízos causados pela
organização criminosa, que forjava licitações, em conluio com agentes públicos
e mediante o pagamento de propina, para desviar recursos do Fundeb.
Segundo os delegados federais
Fernando Bebert e Fábio Muniz, os prefeitos receberiam 10% do valor dos
contratos, enquanto 3% ficava para lobistas que atuavam como intermediários.
O esquema fraudava licitações e
superfaturava contratos de projetos de "inclusão digital".
"Os projetos licitatórios
eram completamente fraudados, desde a licitação até o edital. Nós temos certeza
da participação dos prefeitos", afirmou Bebert.
Quatro empresas participavam do
esquema, sendo que duas venciam as licitações e outras duas atuavam como
figurantes nos certames.
Os contratos eram apenas
parcialmente executados e, em alguns casos, sequer houve a implantação dos
projetos de inclusão digital.
Nesta segunda, a polícia
cumpriu 96 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva
no Distrito Federal e nos Estados da Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Ao todo,
450 policiais participam da Operação Águia de Haia.
Vinte municípios participaram
desses desvios: 18 na Bahia, 1 em Minas Gerias e 1 em São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, a
quadrilha começou a sua atuação em 2009, em São Paulo, tendo migrado
posteriormente para Minas Gerais e Bahia. Os responsáveis pelas fraudes serão
indiciados por crimes licitatórios, corrupção ativa e passiva e formação de
quadrilha.
MANDADOS DE PRISÃO
Foram cumpridos quatro mandados
de prisão expedidos pelo TRF (Tribunal Regional Federal). Não há políticos
entre os presos.
Segundo a PF, um deputado
estaria envolvido no esquema, mas seu nome não foi divulgado.
Na manhã desta segunda, foi
realizada busca e apreensão no gabinete do deputado estadual Calos Ubaldino
(PSC-BA). A reportagem não conseguiu localizar o parlamentar.
O nome da operação, "Águia
de Haia", faz referência ao político e jurista baiano Ruy Barbosa, que
ganhou este apelido após participar com destaque da Conferência da Paz de Haia
em 1907.
A prefeitura da cidade de Ruy
Barbosa (a 320 km de Salvador) está entre as investigadas.
Informações do otempo