“Melhor do que uma apresentação como essa, só outra apresentação como essa”. Essa foi a definição de Clenir Brito, de 60 anos, do show que o cantor Roberto Carlos apresentou na Arena Fonte Nova, em Salvador, na noite deste sábado (29). Aos 77 anos, o artista levou para a “Fonte de Gols”, como ficou conhecido o estádio durante a Copa do Mundo, antigos e novos sucessos de uma carreira digna das grandes torcidas. Em 1h40 minutos de espetáculo, o cantor,carinhosamente chamado de Rei, apresentou 18 músicas.

“Emoções”. Com essa canção, Roberto Carlos deu boas vindas ao público. Nas primeiras cadeiras, as fãs não resistiram. Aproveitando os primeiros minutos do show , quando a imprensa pôde fazer imagens do palco, alguns fãs se misturaram ao repórteres e tiraram fotografias bem próximas do artista. Para alegria de todos, os seguranças não impediram a ação dos admiradores. Roberto Carlos, do mesmo modo, não se incomodou.

A partir de então, um trilha embalada por antigos sucessos tomou conta do estádio. Em coral, os fãs que lotaram as cadeiras colocadas no gramado, além das arquibancadas, puderam juntos com o cantor fazer coro de músicas como “Eu te amo, te amo, te amo”, “Além do Horizonte” e “Ilegal, Imoral ou Engorda”.


Para delírio do fãs, às 22h25, Roberto Carlos cantou a canção que despertou um dos momentos mais marcantes do início da apresentação. A animação do público foi tão marcante que nem parecia que, numa só voz, todos cantavam uma música de título tão sutil: “Detalhes”. Nesse momento, diversos fãs revelavam a emoção por meio de lágrimas.
A partir de então, o público pôde acompanhar canções apaixonadas como “Desabafo” e “Outra Vez”. Em seguida, o público voltou a fazer um grande coro com as canções “Lady Laura” e “Nossa Senhora”. Ainda houve espaço para músicas mais animadas, como “O Calhambeque”, “Mulher Pequena” e “Negro Gato”.

Meio à apresentação, o cantor reservou um tempo para cumprimentar os músicos da banda. “Fazem parte da minha carreira há tanto tempo. Nossa banda tem grandes artistas. Estão entre os melhores do mundo, com certeza”, definiu.  Encerradas as honras, Roberto Carlos ainda apresentou músicas famosas como “Proposta”, “Esse Cara Sou Eu”, “Aquarela do Brasil” e “Como é Grande o Meu Amor por Você”.
Para encerrar como chave de ouro, o cantor emocionou os fãs com a música “Jesus Cristo”.  Ainda houve espaço para a tradicional distribuição de flores e uma declaração apaixonada: “Eu amo vocês”.
Portão de Entrada
Os fãs do cantor Roberto Carlos começaram a chegar na Arena Fonte Nova antes mesmo das 19h, horário marcado para a abertura dos portões. Sozinhos, em dupla ou em grandes grupos, todos traziam na ponta da língua as músicas que embalam gerações desde a Jovem Guarda, que completa 50 anos em 2015.
Amigas há 35 anos, Ana Lígia (64), Laura Souza (61), Ângela Santos (60), Ivonete Leite (65), Antônia Lêda (66) são exemplos de fãs que acompanham a carreira do artista desde os anos 60. Em frente aos portões, elas aguardavam o momento de entrada com ansiedade. Dentre elas, Ângela era única que nunca tinha ido a um show do cantor. “Se pela TV a gente sempre se emociona, imagine aqui”, disse na expectativa.
Também no portão de entrada da Arena Fonte Nova,  uma nova geração de fãs dos artistas contavam os minutos para o início do show. As amigas Carol Azevedo, de 35 anos, e Tássia Luane, de 25, contaram que compraram os ingressos logo que as vendas foram iniciadas. “Desde lá, nós estamos em contagem regressiva. Contamos dia após dia”, revelaram com sorriso no rosto poucas horas antes do show tão esperado.
Devido à grande movimentação do público para chegar ao estádio, as principais vias de acesso ao bairro de Nazaré começaram a ficar congestionadas a partir das 19h.
Dentro da Arena
Já dentro da Arena, dois sósias do artistas fizeram a diversão do público antes do início do show.  À parte da produção do evento, eles chegavam perto dos fãs nas arquibancadas. Houve até quem se enganasse. Um dos sósias, que é do município de Rio Real, é o radialista Gabriel Silva, de 59 anos. Há cinco anos imitando o artista, ele conta que já foi a seis apresentações do cantor. Em nenhuma delas, conseguiu se aproximar dele. “Hoje, eu espero poder tirar uma foto com ele. Ele é meu ídolo por tudo o que representa. O tempo passa mais a ‘Jovem Guarda’ será sempre jovem”, disse emocionado.
A Arena Nova estava lotada. Mais distante do palco estava o público das arquibancadas. Nas próximos, estavam os fãs que pagaram mais caro e optaram pelas cadeiras que foram colocadas no campo. Na primeira fileira estavam as irmãs Jocilene Reis, de 64 anos, e Gilda Reis, de 57. “Isso aqui é presente de filha. Ela comprou logo no primeiro dia. Sabia que éramos fãs. As músicas estão relacionadas a todas as fases da nossas vidas. São muitas canções emocionantes, desde a Jovem Guarda. Não poderíamos perder”, contou Jocilene.
Também na primeira fila das cadeiras estavam as amigas Noélia Almeida (65), Célia Campos (85) e Jacira Monteiro (66). Juntas, antes do início do show, elas lembraram histórias relacionadas às canções do artista. “Meu marido sempre teve ciúmes de mim com Roberto. Ele comprava o CD’s, mas me dava morrendo de ciúmes”, contou Jacira Monteiro aos risos, destacando que é casa há 40 anos. Ao lado dela, a filha Flávia Monteiro, de 66 anos, disse que por causa da mãe conhece todas as músicas de Roberto. “Era obrigada a ouvir todos os domingos, mas não tinha sofrimento”, brincou.
Gerações
Ainda na primeira fileira, um grupo de fãs se destacava. Idosos e pessoas de meia-idade se juntavam a um adolescente de 17 anos para mostrar que a legião de fãs de Roberto Carlos ultrapassa gerações. “Conheci a todas por meio do Facebook. Hoje, tenho o prazer de conhecê-las pessoalmente. Somos todos fãs do Roberto. Fui ao primeiro show aos 14 anos, na Concha Acústica. Desde então, sou muito fã”, contou Vinícius de Azevedo, de 17 anos.
Ao lado de Vinícius, estava uma fã veterana. Egli das Graças, de 59 anos, veio de São Paulo acompanhar mais um show do artista, o 121° de toda a vida. Junto com ela foto de apresentações em Las Vegas, diversos estados brasileiros e navios. “Comecei a ouvir Roberto Carlos com 9 anos. Meu irmão comprava os discos para mim”, diz saudosa. Em 30 de abril de 1977, ela ressalta que assistiu ao primeiro show do artista. “Inesquecível”, define suspendendo as mãos e revelando as unhas pintadas com o rosto do “Rei”.

Fonte: G1 /Foto: Eduardo Martins

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