BRASÍLIA
- Antes de se ver emparedado por correligionários em busca de cargos no
governo, o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), buscará costurar o compromisso
dos deputados e senadores de seu partido com a reforma política. Amanhã, ele
receberá governadores e parlamentares eleitos, ministros e dirigentes em um
jantar no Palácio do Jaburu. O objetivo é reafirmar sua liderança sobre o
partido depois de sair fortalecido das urnas com a reeleição da presidente
Dilma Rousseff (PT). Na quarta-feira, numa nova rodada, Temer reunirá o
Conselho Nacional do PMDB, formado por 67 dirigentes, para definir pontos da
reforma e deixar clara a posição contra a regulação da mídia.
Como
forma de manter o controle, Temer decidiu que não se licenciará novamente da
presidência do PMDB, exercendo a função paralelamente à vice-presidência. Ele
preside a sigla desde 2001, se licenciou em janeiro de 2011 e reassumiu o cargo
em julho, dias antes da convenção nacional, porque um grupo defendia o
rompimento com Dilma.
COSTURA
DE CUNHA PREOCUPA
Além
do compromisso com a reforma política, preocupa Temer e o Palácio do Planalto a
candidatura do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara. Ele
foi reconduzido à liderança da bancada e já tem apoio dos deputados do partido
e de outras legendas. Cunha tem um histórico de conflitos com o governo Dilma.
A presidente já pediu ao vice que tente evitar a eleição dele.
A
direção do PMDB apresentará um cronograma para discussão da reforma política,
sugerindo que, primeiro, o partido ajude a viabilizar o projeto de iniciativa
popular do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. A partir desse texto e
com alterações feitas pelo Congresso, o projeto iria a referendo popular. Só em
último caso, por falta de acordo e demora do Congresso, a reforma se
viabilizaria por plebiscito. A fórmula foi apresentada por Temer a Dilma na
quarta-feira passada. Foi a partir dali que a presidente passou a modular suas
declarações sobre o tema. Matéria original oglobo
