Antes mesmo de assumir a cadeira que será deixada pelo senador João Durval Carneiro, Otto Alencar (PSD), está com a caneta de governador pelos próximos dias.

O motivo da troca de comando do Executivo baiano se dá pelas férias que o governador Jaques Wagner (PT) tira para descansar das turbulências dos últimos meses e se preparar para o ano de 2015, que promete rebuliços no campo político e poderá ser de novos ares para o político, cotado para ser um dos ministros da presidente Dilma Rousseff (PT).

A ausência de Wagner começou a ser contabilizada desde ontem e vai até a próxima sexta-feira (7). O petista estará de viagem na Europa, segundo fontes ligadas ao chefe do Palácio de Ondina. Como Alencar, apesar de eleição ao Senado, ainda se mantém no cargo de vice-governador, coube a ele assumir a responsabilidade do Executivo com a vacância do titular.

Na onda dos descansos do período pós-eleitoral também está o recém-eleito Rui Costa (PT). O futuro governador já viajou para fora do país e, mais do que Wagner, poderá ficar de férias por cerca de 20 dias.

Antes de alçar voo, deixou os caminhos da transição em aberto: nomeou Manoel Vitório como chefe da transição e os demais cargos da equipe que será chefiada por ele, que recebeu cartas brancas para trocar o projeto de reestruturação administrativa da máquina estadual. Entre as metas está a redução do número de secretarias e busca de perfis técnicos para coordená-las.

Pela história política, Otto é o típico governador sem eleição. Todas as vezes que esteve à frente do comando do governo do Estado não foi por meio do voto direto e sim pela composição de chapa do eleito. A primeira vez que chegou ao alto posto da política baiana foi em 2002.

Naquele período, durante a campanha de César Borges ao Senado, o então governador se afastou das funções e Otto passou a governar o estado de abril a dezembro daquele ano, ou seja, oito meses com a caneta na mão. 


Desta vez, a passagem do cacique do PSD pela cadeira será curta e não terá tantos impactos. O único compromisso firmado pelo licenciado e será dada a continuidade é o de fechar o estado para balanço. Na quinta-feira, Wagner publicou no Diário Oficial medidas para contenção de despesas, inclusive o retardo de férias já programadas de servidores públicos. A ideia do gestor é pagar tudo o que deve até o fim do mandato e entregar caixa zerado ao seu afilhado político e sucessor.

Nesse emaranhado de férias e funções, quem quase governou a Bahia pela sexta vez, ficou na vontade. O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo (PDT) seria convocado ao posto, caso Otto se ausentasse para compromissos partidários em Brasília. No entanto, com a desistência do vice-governador, não foi o deputado o escalado para assumir a função.

Durante o período pré-campanha, no mês de abril, até o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Eserval Rocha, ficou como governador interino quando Jaques Wagner precisou fazer uma viagem ao exterior. Como a lei eleitoral não permitia nem que Otto e Nilo assumissem o comando, pois eram candidatos ao Legislativo no pleito deste ano, coube ao desembargador a função.

Na ocasião o magistrado sancionou a lei que criou a Câmara Especial do Extremo Oeste Baiano e a Lei dos Royalties, que estabelece a distribuição dos recursos financeiros dos direitos de exploração do petróleo na Bahia. 

Dilma Rousseff também descansa
Não só Jaques Wagner e Rui Costa estão em descanso. Diferente dos baianos que alçaram voos para fora do país, a recém-reeleita Dilma Rousseff (PT) escolheu, mais uma vez, a Bahia como destino de suas férias pós-eleições. A petista havia desembarcado, na última quarta-feira, na Base Aérea de Salvador e foi de helicóptero para o balneário pertencente à Marinha, no bairro de São Tomé de Paripe.

Aqui, em sua chegada, ela foi recepcionada pelo governador Wagner, antes dele seguir viagem a Europa. A presidente Dilma trouxe a tiracolo a sua filha Paula Araújo; o seu neto Gabriel, de 4 anos, o genro Rafael Covolo e a sua mãe, Dilma Jane.

Desde 2010, quando foi eleita pela primeira vez, no recesso pós-eleições, a Bahia foi o destino escolhido pela política. Ao invés de Inema, esteve em Itacaré. Desde então, sempre vem descansar em território baiano.

A praia soteropolitana, uma parte restrita e outra aberta a população, não teve como visita ilustre só a presidente Dilma. A tradição começou desde 1998, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) escolheu o local para passar férias. Depois o gesto foi repetido pelo então presidente Lula (PT) em 2009.


Nas instalações da Marinha (vila militar), além de local de hospedagem, há um cineteatro e uma capela. | Tribunadabahia | Foto da internet

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