O presidenciável tucano Aécio Neves negocia a
formação de palanques com o PMDB em Estados onde o partido do vice-presidente
Michel Temer não se entende com o PT. Em algumas praças as chances de
celebração de acordos são efetivas. Os entendimentos estão mais avançados na
Bahia e no Ceará. No Ceará, Aécio arma um bote duplo. Além de colocar os
pés num palanque cearense, ele tenta abrir caminho para a volta do
correligionário Tasso Jereissati ao Senado. Para alcançar tais objetivos,
trança o apoio do seu PSDB ao senador Eunício Oliveira, ex-ministro das
Comunicações de Lula. Atual líder do PMDB no Senado, Eunício disputará o
governo cearense contra o candidato a ser indicado pelo governador Cid Gomes
(Pros), com o provável apoio de Dilma Rousseff. Ele já conversou com Aécio.
Voltará a procurá-lo após viagem de quatro dias aos EUA, para onde decola nesta
segunda-feira (20). Em privado, Eunício exibe dados de uma pesquisa que
encomendou para consumo doméstico. Nesse levantamento, lidera a disputa pelo
governo do Ceará com taxas que variam de 45% a 48% das intenções de voto,
dependendo do cenário. Na corrida pela única vaga disponível no Senado, Tasso
também aparece à frente com 45%. O tucano Tasso tentara reeleger-se
senador em 2010. Viu suas pretensões serem engolfadas pela onda Lula. De saída
do Planalto, escorado em popularidade lunar, Lula empenhou-se para prover a
Dilma um Senado menos hostil. Estavam em jogo na época duas cadeiras de senador
por Estado. No Ceará, Lula ajudou a eleger José Pimentel (PT) e o próprio
Eunício. Para o tucanato, a eventual volta de Tasso terá gosto de troco. A
situação da Bahia é mais conhecida. Ali, o PMDB deseja lançar a candidatura de
Geddel Vieira Lima para tentar tirar do poder o PT do atual governador Jaques
Wagner. Com as bênçãos de Aécio, Geddel tenta coligar-se ao PSDB e ao DEM do
prefeito de Salvador ACM Neto. De resto, há negociações abertas em pelo menos
mais quatro Estados.politicalivre