Policias militares foram acionados duas vezes ontem por funcionários do Hospital Evangélico, em Ponta Grossa, para manter a integridade física da paciente Aline de Lima Ribeiro, 21 anos, – grávida de oito semanas - e da equipe médica, já que o marido da gestante, Jamiro Domingues, tentou impedir a realização de uma cirurgia na gestante, na qual poderia ser feita transfusão sanguínea, o que não é aceito pela religião Testemunha de Jeová, da qual o casal faz parte.
A gestante chegou ao Hospital Evangélico por volta das 11 horas de ontem através de um encaminhamento do Hospital Municipal Amadeu Puppi. O médico obstetra Adilberto de Souza Raimundo constatou uma gravidez ectópica, que é uma gestação que ocorre fora da cavidade uterina. Com oito semanas de gestação, a paciente apresentava fortes dores abdominais e sangramento.
Em função do quadro, o médico informou à família da gestante sobre a necessidade da cirurgia e que poderia ser feita transfusão sanguínea. Houve recusa do marido da paciente que, em determinado momento, tentou retirá-la nos próprios braços do hospital. Diante da confusão, a Polícia Militar foi acionada. “Ele não autoriza os procedimentos médicos em função de preceitos religiosos. Como médico, tenho que ter precaução e preservar a integridade da paciente”, disse Raimundo.
Já por volta das 15h30, com o quadro da paciente se agravou e policias militares foram acionados novamente pelo Hospital Evangélico, pois o marido ainda impedia a realização da cirurgia. Dois carros da PM e cerca de seis policiais de deslocaram ao local. O sargento Valter disse que o objetivo era garantir a integridade da paciente e da equipe do hospital. O marido da gestante foi retirado pacificamente pelos policiais de dentro do hospital e permaneceu ao lado de familiares em frente do hospital.