Compra de votos, coação de eleitores e destruição de propagandas eleitorais de adversários políticos. Em Cipó, a 241 km de Salvador, o Ministério Público Estadual denunciou nas esferas cível e criminal o prefeito eleito, Romildo Ferreira dos Santos (PSD); o vice-prefeito eleito, Carlos Roberto Silva (PSD); o vereador eleito Vinícius Antônio Silva Santos (PSD), entre outros. Conforme as denúncias, os 13 acusados integram uma quadrilha que utilizou o sisal para corromper eleitores, a chamada “Quadrilha do Fiapo”. Caso a Justiça aceite o pedido do MP, os candidatos eleitos podem ter seus registros cassados. De acordo com o promotor Pablo Almeida, investigações realizadas pelo MP constataram que mais de 500 votos foram comprados pela quadrilha, que utilizava como moeda de troca a fibra do sisal resultante das sobras de tecidos da indústria têxtil. O material, conhecido como fiapo, é muito utilizado na cidade, sobretudo pela indústria moveleira e por artesãos. Cada eleitor corrompido recebia de 20 a 100 quilos de fibra e, além do fiapo, a quadrilha distribuía materiais de construção e dinheiro em espécie. “Apuramos nas investigações que a prática já aconteceu em eleições anteriores, por isso descobrir essa quadrilha é tão importante”, ressaltou Pablo Almeida, acrescentando que, para comprovar os crimes, o MP requereu o cumprimento de mandados de busca e apreensão, que acabaram por apreender grande quantidade de fardos de fiapo. Entre os eleitores surpreendidos com o material, alguns chegaram a confessar o crime.